Pequenos operadores
O patrão que também conduz
Tem licença de operador, tem o seu carro, e tem mais um. Às vezes dois. É simultaneamente a entidade patronal e o funcionário mais explorado da empresa. Queixa-se a si próprio e nunca obtém resposta.
As frotas são outro caminho
Convém esclarecer desde já: esta associação não é para quem tem duzentos carros. Quem tem duzentos carros não precisa de associação — quando liga para a plataforma, atendem.
Isto é para o outro. Para quem comprou um segundo carro a pensar que era rendimento passivo e descobriu que era um segundo emprego.
Comparação
Exatamente as mesmas obrigações
A lei não distingue. O mercado, esse, distingue muito bem.
| Frota com 200 carros | Tu, com 2 | |
|---|---|---|
| Licença de operador TVDE | obrigatória | obrigatória |
| Alvará, seguros, frota certificada | sim | sim |
| Contabilidade organizada | tem contabilista | tens uma folha de Excel |
| Comissão negociada com a plataforma | sim | tabela geral |
| Gestor de conta dedicado | sim | formulário |
| Alguém atende o telefone | sim | não |
| Conduz o próprio carro | não | doze horas por dia |
| Substitui o motorista que faltou | tem outros quarenta | és tu, ao domingo |
| Poder negocial | considerável | nenhum |
As quatro primeiras linhas são iguais. As cinco seguintes explicam porque é que isso é um problema.
O segundo carro
Toda a gente conhece a história porque toda a gente a viveu. Corre bem durante três meses. Depois entra a revisão, a troca de pneus, a franquia do sinistro que o motorista jura que não foi ele, a semana em que o carro esteve parado à espera de peça, e o mês em que o motorista desapareceu sem avisar.
No fim do ano fazem-se as contas e descobre-se o seguinte: o segundo carro deu para pagar o segundo carro.
Passaste de motorista a empresário. Continuas a conduzir as mesmas doze horas, mas agora também fazes contabilidade às duas da manhã.
O paradoxo do patrão
Há meses em que o motorista leva para casa mais do que o operador que lhe deu o carro. Não é injustiça de ninguém em particular — é aritmética. O motorista recebe da viagem; o operador recebe do que sobra depois da comissão, do combustível, do seguro, da manutenção, da prestação e do contabilista.
Às vezes não sobra. E não se pode despedir a si próprio, porque ainda faltam trinta e seis prestações.
Reivindicações específicas
O que exigimos para quem tem dois carros
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Comissão igual para todos, ou negociável por todos
Se a frota grande consegue condições melhores, ou se estende a quem tem dois carros, ou se explica publicamente porquê. Uma das duas.
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Um interlocutor humano acima dos cinco carros
Não pedimos gestor de conta. Pedimos uma pessoa. Com nome. Que responda dentro do mesmo trimestre.
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Obrigações proporcionais à dimensão
O mesmo dossiê de conformidade para duzentos carros e para dois é uma piada — e é a única deste site que não fomos nós que inventámos.
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Transparência nos bloqueios de viatura
Quando uma viatura é desativada, o operador perde o rendimento e continua a pagar a prestação. Merece saber porquê, e depressa.
Tens dois carros e nenhum poder negocial?
Connosco passas a ter dois carros e nenhum poder negocial, mas acompanhado. É pouco, admitimos. Mas é mais do que tinhas.
Aderir como operador